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NO DIA EM QUE LEVAREM MEU CORPO MORTO

Giancarlo Coretti se foi. Perdemos um homem bom, de grande coração.

Giancarlo foi instrutor de Deep Memory Process e amigo fiel e leal de Roger Woolger, com o qual trabalhou de 1998 a 2011 como tradutor, assistente e organizador de treinamentos, palestras e outros eventos.

Nessa condição ele teve a oportunidade de ler várias vezes esse poema de Rumi.

Descanse em paz amigo, no alento do não-lugar.

NO MEU FUNERAL

No dia em que levarem meu corpo morto
não penses que meu coração ficará neste mundo.
Não chores por mim, nada de gritos e lamentações
– lembra que a tristeza é mais uma cilada do demônio.

Ao ver o cortejo passar, não grites: “ele se foi!”
Para mim, será esse o momento do reencontro.
E quando me descerem ao túmulo, não digas adeus!
A sepultura é o véu diante da reunião no paraíso.

Ante a visão do corpo que desce
pensa em minha ascensão.
Que há de errado com o declínio do sol e da lua?
O que te parece declínio, é tão somente alvorada.

E ainda que o túmulo te pareça uma prisão,
e é ele que liberta a alma:
toda semente que penetra na terra germina.
Assim também há de crescer a semente do homem.

O balde só se enche de água
se desce ao fundo do poço.
Por que deveria o José do espírito
reclamar do poço em que foi atirado?

Fecha a tua boca deste lado
e abre-a mais além.
Tua canção triunfará
no alento do não-lugar.